Heranças da Antiguidade

           O avanço territorial dos árabes no século VIII d.C. fez com que tivessem um contato proveitoso com culturas que possuíam uma tradição filosófica e científica mais antiga e bem diversa daquela que eles haviam produzido nos desertos da Arábia.

               No novo cenário histórico que se desenhou, os árabes se colocaram em contato mais íntimo com a Pérsia, o Egito, a Síria, a Índia, entre outras, culturas que forneceram diversos elementos para que grande parte dos conhecimentos da época se constituísse num conjunto reelaborado que foi, então, unificado pela língua árabe.

             Nessa rápida expansão geográfica que abarcou núcleos de saber da Antiguidade, a passagem da ciência e do saber dos antigos aos árabes teria sido difícil sem a colaboração que obtiveram de tradutores, teólogos e linguistas que não eram nem muçulmanos nem árabes.

        A ajuda recebida de cristãos nestorianos, monofisistas e melquitas, principalmente na Síria e no Egito, se estendeu até a época das traduções dos textos gregos e siríacos para a língua árabe em Bagdá, notadamente pelo cristão nestoriano Hunayn Ibn Ishaq.

     Foi nesse cenário rico de influências que, em pouco tempo, os árabes se viram detentores de grande parte da herança filosófica e científica da Antiguidade a qual, paulatinamente, foi sendo traduzida para a língua  árabe.